Contador anterior desde 2007 contou 47.000 visitantes, a que somarão os do contador seguinte:

Se for mesmo muito curioso ou não concorda com o conteúdo deste blogue, deixo-lhe o meu correio electrónico xilefe@gmail.com para que possamos discutir estes assuntos e corrigir os erros ou gralhas daquilo que escrevi. Da diferença nascerá a verdade dos factos. Todos é que sabemos tudo.
Podem usar os textos, imagens e vídeos, desde que informem a autoria e o local da divulgação.

Quer saber o que publicamos neste blogue em 2006?

Clique AQUI

AGRADECIMENTO PÚBLICO:

Poderá não ser vulgar encontrar a imagem de um Campo Santo
Ver mapa maior">(clique aqui para ver a imagem) postada num blogue. Mas há uma razão muito válida para tal, a de agradecer publicamente às pessoas que, anonimamente, têm cuidado e ornado a campa dos meus saudosos pais, António do Marta e Josefa dos Ferreiros. Estou feliz por ter sabido quem são e eternamente agradecido a ambas pelo carinho desinteressado e a estima dedicada. Nós vos estamos gratos para todo o sempre. Bem-haja.

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24/07/2007

CASA VIEIRAS


É verdade, a casa Vieiras toda em pedra rodeada pelo verdejante do seu Eido (campo) que a envolve, num local paisagístico de Aboim da Nóbrega, ainda hoje é vítima, como o foi nos anos 40, em que todos faziam por sair dali para sobreviver, como se depreende de alguns textos por mim já editados sobre as minhas vivências em Aboim da Nóbrega. Depois de os meus pais terem partido para o outro reino, que Deus os tenha em bom lugar, a casa não tem tido melhor sorte.

Mesmo havendo entre os herdeiros quem a queira, a disponibilidade financeira não o tem permitido. Ao longo dos últimos 13 anos por não estar a ser usada diariamente, o seu interior não oferece condições de habitabilidade, o que me tem trazido muita tristeza, porque gostaria de anualmente passar as férias como os meus familiares em Aboim da Nóbrega. Esta postagem acaba por ser também uma forma de esclarecer os muitos amigos que me têm dirigido perguntas sobre a casa e o Eido, se estão à venda. Sim estão...

Mas, talvez possa haver outras formas de eu conseguir ter férias em Aboim. Será que existe alguém em Aboim da Nóbrega ou nas redondezas que tenha aí uma casa e a queira trocar por uma loja que tenho em Queluz (perto de Lisboa)? Fica aqui o repto aos Aboinobrenses e não só.
Agora vejamos o lindo poema do nosso grande Poeta Euclides Cavaco, que até parece vir a propósito:
Quem de coisas é senhor
Mas nesta vida as herdou
Não lhes dá tanto valor
Como alguém que as ganhou!...
Quem recebe de bandeja
Mal sabe apreciar
Pois nada fez de sobeja
P'ra além dum mero aceitar...
Quem pelas coisas trabalha
Sem nada ser oferecido
A tudo o que amealha
Dá o mais justo sentido.
Coisas grandes ou pequenas
Para alguns muito vulgares
Para uns valem centenas
Mas para outros milhares....
Só quem luta de verdade
Sabe todo o valor dar
Ao que com dignidade
Soube por si conquistar...
O verdadeiro valor
Que coisa qualquer ostenta
É na dimensão maior
O que pra nós representa!...
Verdade, não é?

Boas férias com viagens cheias de sorte, é o que vos deseja o aboinobrense,

Félix Vieira
xilefe@gmail.com

31/05/2007

DIA MUNDIAL DA CRIANÇA

NO DIA MUNDIAL DA CRIANÇA, COMO EM MUITOS OUTROS DIAS

Era e é vulgar ouvir-se que, as crianças são os homens de amanhã, as crianças são o futuro ou ainda, as crianças são o melhor do mundo e há quem mostre isso por acções, como por exemplo a, Escola de Esqueiros, (Vila Verde) com a História da Rabanetolândia.

Na convergência, Escola, Alunos e População num objectivo comum na feitura do livro que teve o seu lançamento no passado dia 2 de Maio de 2007, esta população adulta mostra que souberam estar à altura de serem, o homem de amanhã.

Já na Freguesia de Covas (Vila Verde) por muito que queiram levar a cabo projectos do tipo deste da Escola de Esqueiros. Com os seus filhos impedidos de frequentar a escola local ou as das redondezas, afastados dos seus familiares e do resto da população da freguesia 12 a 15 km de distancia, todos os dias escolares, torna inviável a convergência de qualquer obra com os adultos e o enraizamento das pessoas nas suas freguesias.

Claro que, as consequência destas medidas para concentrar tudo nos, ou em volta dos promissores “dormitórios de Braga” afecta muitas mais freguesias e muitas mais virá a afectar se o plano, a nível nacional, de encerramento de mais 900 escolas for por diante.

ÀS VEZES DÁ QUE PENSAR. OS QUE TOMAM ESTAS MEDIDAS HOJE, TERÃO OUVIDO ALGUMA VEZ EM CRIANÇAS QUE, SERIÃO OS HOMENS DE AMANHÃ? ...QUE AMANHÃ É ESTE?





Ainda bem que existiram homens que ouviram isso muito bem enquanto crianças e deram provas disso ao levar as escolas a onde elas faziam falta. Aboim da Nóbrega, é disso um testemunho, quando a antiga escola (foto 1), já não chegava enraizou aí as suas crianças aumentando o número de escolas, com a das Lameiras e a da Carvalha (foto 2). Será que agora também estão condenados a ir para tão longe como os de Covas?



Até os homens, quase todos analfabetos, ao talharem milimétricamente as pedras, como as que se vêm nos montes nesta foto da escola da Carvalha para construir a mesma, sabiam que estavam a construir os alicerces dos homens de amanhã e dali saiu perfeição.



TAMBÉM SAIU PERFEIÇÃO E CONTINUA, COM AS ESCOLAS QUE FORAM LEVADAS ÀS CRIANÇAS DOENTES NOS HOSPITAIS.



Aqui está na prática uma das muitas provas de que se pode e deve levar a Escola às crianças proporcionando-lhes as melhores condições.


De certeza que todas as pessoas que se esforçaram para por em prática o futuro das Crianças souberam perceber o futuro pondo em prática esta “globalização informática” benéfica.


Souberam materializar promovendo e concretizando alguns dos DIREITOS DA CRIANÇA e é muito fácil saber quais são porque até está ao alcance de um clic, como se pode constatar no trecho transcrito de um dos sites.


“Nunca é demais lembrar, até porque poucas vezes isso tem sido feito, quais os direitos que assistem especificamente às crianças, e que estão consagrados na Convenção sobre os Direitos da Criança que foi elaborada em 1989 pelas Nações Unidas, que tiveram em consideração, entre outras coisas, o indicado na Declaração dos Direitos da Criança, adoptada em 20 de Novembro de 1959 pela Assembleia Geral desta Organização, que dizia que “a criança, por motivo da sua falta de maturidade física e intelectual, tem necessidade de uma protecção e cuidados especiais...”. Ou neste link, como em muitos outros.

Sou de opinião que os pais que compreenderam o que receberam quando crianças, sabem ser os homens e as mulheres de hoje e sabem muito bem que quando se trata dos Direitos da Criança, que também nunca estão a dar demais e o que se passa na Escola no Hospital D. Estefânia em Lisboa, é um dos exemplos disso. Bem hajam.

E como se viu nos fins de Agosto de 2007, as pessoas do concelho de Vila Verde a norte, sabem bem o que querem e têm a certeza do que devem querer:


"Pais manifestaram-se em frente à Câmara de Vila Verde
Revolta contra encerramento da Escola Básica de Covelo.
Um protesto contra o encerramento da Escola Básica 1 de Covelo, na freguesia de Covas, em Vila Verde, juntou na manhã de ontem uma centena e meia de alunos, pais, avós e responsáveis da Junta de Freguesia de Covas, em frente às instalações da Câmara Municipal de Vila Verde.
A revolta estava estampada em vários cartazes e fez-se ouvir da boca dos manifestantes, que não pouparam críticas à Câmara e aos responsáveis da Direcção Regional de Educação do Norte.





Texto, Vasco Alves Foto, Publicado a 31-08-2007" - Fonte Diário do Minho
Esta foto da Escola EB1 em obras, foi inserida no site da Junta de Freguesia de Covas em 21-8-07.

Escrito e/ou transcrito por Félix Vieira

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13/05/2007

AS DESFOLHADAS EM ABOIM DA NÓBREGA

AS DESFOLHADAS, O APUPAR ÁS RAPARIGAS E O LOBO

Como era hábito em Aboim da Nóbrega, o trabalho cansativo começava bem cedo, quer fosse nos campos, nos montes ou em qualquer outra actividade. E não se pense que o dia de trabalho acabava com o cair da noite, porque conforme as épocas do ano, tinham lugar à noite as idas aos moinhos para levar o milho para moer ou trazer as farinhas lá moídas, as Espadadas (Espadeladas) do Linho e outros tratamentos que o mesmo exigia e fiar, com as rocas características nas mãos de pessoas há muito tempo entendidas nesse manuseamento. Outra actividade que também se prolongava pela noite dentro, conforme a quantidade de milho ou o grande número de pessoas, umas para desfolhar e outras simplesmente para se divertirem.
Como é sabido, havia as regras para quem encontrasse o milho rei que impunham os beijinhos, bem como outras lutas e brincadeiras bem próprias das noites da DESFOLHADA que proporcionavam noites divertidas e bem agradáveis para a maioria das pessoas.

Embora, bem divertidas e agradáveis, como eram as desfolhadas do meu Avô materno em Barjes, muito trabalhosas para mim e minha Mãe, mesmo que fosse tarde e já estivéssemos cansadíssimos, tínhamos de regressar à nossa casa no lugar do Tojal, a onde nos esperavam os meus irmãos ansiosos por nos ver chegar com alimentos, o que procurávamos fazer pelo caminho mais curto, indo pelo carreiro que atravessa o Rio Vade na ponte junto aos moinhos de Barjes para o Souto e daí até à nossa casa no Tojal, na foto a seguir:

Fazíamos este percurso muitas vezes, eu e minha Mãe, sempre conversando um com o outro ou a dar atenção aos apupos às raparigas com aquelas gargalhadas (gasgalhadas, como dizia a minha Mãe).
Numa noite em que, mais uma vez fazíamos este percurso, já bastante tarde, caminhado na noite escura que arrepiava naquele carreiro, em vez de ouvir as habituais "gasgalhadas", ouvimos foi repetidos gritos assustadores vindos dos campos de entre o frondoso das árvores. Aquele local já tinha fama de pôr medo, ao fugirmos, ora ia eu na frente, ora passava a minha Mãe. Chegámos ao Souto num ápice, a onde as pessoas, alertadas pelos nossos gritos, já se encontravam no caminho, vindo ao nosso encontro. Minha Mãe, com muita dificuldade em falar, lá ia dizendo que lhe parecia terem sido gritos de almas de outro mundo. Outras pessoas conjecturavam outros cenários. Eu perdi o pio, mas não sujei as cuecas, verdade verdadinha, é que eu também não sabia o que eram cuecas…
Mais tarde, a minha Mãe ficou a saber quem nos tinha pregado a partida, porque o figurão, como dizia minha Mãe, tinha-se gabado disso numas das conversas de taberna na companhia de uns cartilhos (quartilhos). A partir daí fiquei com mais um medo, é que minha Mãe andou a ver se o apanhava a jeito para lhe dar "um tratamento" e eu sabia que ela era mulher com genica para isso, mas temia as consequências, físicas ou outras, que daí poderiam advir.

É evidente que tínhamos outro caminho para vir para o Tojal, que era pelo Adro da Igreja, mas demorava mais tempo por ser mais longo, não menos frondoso e com o inconveniente de termos de passar junto ao cemitério, o que à noite nos impunha um certo respeito, de nos por os cabelos em pé (medricas…), o que levou a que tivéssemos de recorrer ao carreiro habitual e como o meu Pai se encontrava a trabalhar em Vila Franca de Xira, não podíamos beneficiar da protecção dele junto de nós. Não sei explicar se o meu Pai tinha ou não algum medo de andar de noite, a verdade é que andava e muito pelos mais diversos locais da freguesia ou outros, para quem conhece Lameiras, Casais de Vide, campos do Sadas, Coutada, Poças de Caboucos para regar de noite, Monte do Padral como quando ia a Ponte da Barca por motivos de doença ou para as feiras, chegava a andar por esses locais e sozinho, muitas vezes depois da meia noite, isto não porque ele se gabasse, mas porque várias pessoas o diziam.
O meu Irmão Manuel, mais novo que eu, que Deus o tenha em descanso, bem como os meus Pais, também era muito corajoso tal como o meu Pai. O Manuel chegava até a fazer apostas de entrar em certos sítios, a horas que poucos se atreveriam, como por exemplo, à meia noite em ponto, subir ao muro do cemitério e dar lá umas certas voltas sem cair ou desistir.

Eu também tive uma peripécia, quando fui surpreendido por um Lobo, mas da parte da tarde e ainda era dia, quando num dia vinha do nosso campo, o Sádas, ao passar ao pé de outro nosso, Coutada (fotos da Coutada próximo do "meu Castanheiro" dessa época), pressenti uns movimentos por entre as giestas, que então eram abundantes. Um pouco mais a baixo vi a cabeça de um Lobo entre as giestas, olhei para os campos do meu lado esquerdo na descida, vi um Castanheiro que, como todos os castanheiros, são difíceis de subir, mas eu pus-me lá em cima num rápido.

Estive lá em cima algum tempo que me pareceu uma eternidade, cada vez mais assustado e sem saber se era mais que um Lobo. Quando a seguir, o avistei num cabeço, sobranceiro ás poças de Caboucos, já mais longe, desatei a correr pelo caminho a baixo em direcção à minha casa no Tojal e sempre a olhar para todo o lado.
Ao passar junto às poças de Caboucos estava lá um homem de sachola na mão que, ao ver a aflição com que eu corria, fugiu também e no lugar da Tomada deve ter virado para o Souto. Mas o mais forte fui eu a fugir, que devo ter chegado primeiro à casa onde nasci no lugar do Tojal (foto acima) que no mapa do Google está assinalada. Mais uma vez, mal de mim se não fosse eu e o meu rico Castanheiro… Sim porque sorte não se tem, procura-se e os Aboinobrenses são nisso exímios. E por falar em procurar, teremos a sorte de encontrar aqui os Madredeus?

Escrito por Félix Vieira

06/05/2007

DIA DA MÃE




SIM, A MÃE É ETERNA

Estou mesmo a falar da minha Mãe Zefinha (Zéfa do Tojal) e a “beber” o sorriso e o carinho com que Ela segura um dos seus bisnetos, filho da minha sobrinha Paula.

As Mães, eternas são-no de muitos modos, pelos afectos que nos transmitem que ficam em nós como que, uma matriz directiva, a passar de geração em geração e por tantas outras coisas que ficaram eternas. Como os sacrifícios, em especial os das Mães, para criar os seus filhos e até por vezes, os de outrém.
Quem não conhece em Aboim da Nóbrega exemplos do que afirmo. Eu próprio senti os “sacrifícios eternos” que minha Mãe enfrentou e se transmitem para a eternidade moldando um povo. Estou eternamente grato Mãe Zéfa, por me ter dado o Ser.

Entre outras Mães, em Aboim da Nóbrega, que encararam, também, outro tipo de eternas dificuldades posso e devo destacar a Mãe, Maria do Carmo Reis (2ªfoto) que, para além de uma digna Professora, meteu ombros a obras que, algumas não se sabe quando começaram e lhes tentou dar eternidade, entre diversas outras que promoveu como por exemplo, Os Lenços de Namorados, de Aboim da Nóbrega.
Fica para a eternidade aquele momento em Setembro de 2002, em que Doma Maria do Carmo Reis, segurando um livro, bem ilustrado com as fotos dos Lenços dos Namorados, com um sorriso aberto e olhar brilhante, o colocou nas minhas mãos, dizendo “é para ti Félix”, olhando-me bem nos olhos, como se me estivesse a entregar um tesouro. A verdade é que, é para mim um tesouro de valor inigualável e é eterno porque é Cultura de um Povo, Os Lenços dos Namorados.


Está, para minha felicidade e nos meus afectos em particular, a Ana (foto junto à Igreja de Aboim da Nóbrega), minha Esposa e Mãe dos meus filho e filha que irão, se Deus quiser, para nosso contentamento, permitir o continuar da eternidade das Mães.

É bom viver, não é?

Mesmo que para viver, tenhamos que dizer muitas vezes: mal de mim se não fosse eu, o que acontece no dia-a-dia a muita Mãe. “Mães Coragem”, das quais podemos destacar ainda mais exemplos.


Infelizmente, ainda poderia-mos colocar aqui mais uns milhares de "sítios" sobre milhentos casos e bem sabemos que da maioria deles, as MÃES não têm culpa.

Mas, nem tudo é triste, vejam só o Hino á Mãe que nos oferece o homem com H grande, o Português Poeta e Emigrante, Euclides Cavaco:




Aceitem esta Rosa, com a qual abraço todas as MÃES do mundo:




Feliz Dia da Mãe para a eternidade.


Escrito por Félix Vieira

03/04/2007

UMA SANTA PÁSCOA PARA TODA A HUMANIDADE






O CRUCIFICADO


O que foi que Ele fez?
Porque O pregaram na cruz?
Mesmo os que estão a sofrer
Não se comparam com Jesus

E aqueles pregos cravados
No meio das Suas mãos
Deviam pôr a pensar
Aqueles que estão sãos

Sim, Ele era são
E muito novo, ainda
Trazia uma grande missão
Mas Sua vida foi finda

E aqueles pés amarrados
Para não poder fugir
Também foi pelos meus pecados

O que teria eu feito,
Para Ele ter aquela morte?
Fico com o coração desfeito
Ao saber da Sua sorte

E Ele pregou e doutrinou
Aqueles com quem convivia
Era uma mensagem de amor
Que Ele trazia
E que a maldade, interrompia

Interrompeu e pouco valeu
E Ele tanto suplicou ao Pai
O perdão para todos nós
Tudo entregou aos pés da Cruz
Para não ficarmos sós

Ó Jesus, reza por nós
Que eu vou rezando, também
Por aqueles que não têm voz
E que, a este mundo, vêm
Vêm e muitos não Te querem aceitar
Eu não sei bem a razão
Mas foi só amor que soubeste dar

Perdão, é o que eu mais Te peço
Por mim e também pela Humanidade
Teu amor, eu não mereço

Sou pequenina demais
Não consigo compreender
Um sofrimento tão grande
Sem o estar a merecer

Há projectos no pensamento
Destes pobres seres mortais
Perdão, Te volto a pedir
Para não Te crucificar mais

Prefiro o meu sacrifício
Por não ter capacidade
De sentir o Teu sofrimento
Porque ele é bastante profundo
Só Deus sabe o quanto dói
Ver partir Seu próprio Filho
Que Ele deu à Humanidade
E, quando nada se constrói

Crucifixão verdadeira,
Talvez, um dia, eu entenda

M.J./.

23.07.2006

Sabem, nesta Primavera ganhei mais uma pessoa amiga, Dona Maria José Sousa, O poema aqui editado, e outros que virei a editar, de sua autoria, e principalmente tendo em conta esta quadra de Páscoa, são sem dúvida alguma, prova do que afirmo. Não só, autorizou a publicação dos seus poemas, como também me enviou links de vídeos alusivos a esta quadra.
Uma Santa Páscoa para a autora, bem como, para toda a humanidade.
Transcrito e escrito por Félix Vieira

EDUCAÇÃO DO ANTIGAMENTE

Depois de ler EDUCAÇÃO DO ANTIGAMENTE:

“ISTO SIM, ERA EDUCAÇÃO !!!
Frases retiradas de revistas femininas das décadas de 50 e 60

. Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas. (Jornal das Moças, 1957);


. Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afecto. (Revista Cláudia, 1962);

. A desarrumação numa casa de banho desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa. (Jornal das Moças, 1965);

. A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas. Nada de incomodá-lo com serviços domésticos. (Jornal das Moças, 1959);

. Se o seu marido fuma, não arranje zanga pelo simples facto de cair cinzas nos tapetes. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa. (Jornal das Moças, 1957);

. A mulher deve estar ciente que dificilmente um homem pode perdoar a uma mulher que não tenha resistido a experiências pré nupciais, mostrando que era perfeita e única, exactamente como ele a idealizara. (Revista Cláudia, 1962);

. Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu. (Revista Querida, 1954);

. O noivado longo é um perigo. (Revista Querida, 1953):

. É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido. (Jornal das Moças, 1957);

. E para finalizar, a mais de todas:
O LUGAR DA MULHER É NO LAR. O TRABALHO FORA DE CASA MASCULINIZA. (Revista. Querida, 1955).”

A conclusão a que alguns homens poderão chegar:

Já não se fazem mais revistas didácticas e carregadas de moral e amor como antigamente…



Compreende-se perfeitamente que, Pablo Neruda (?) se tenha sentido inspirado para escrever o texto:
PARA AS MULHERES DE VALOR
Transcrito e escrito por Félix Vieira

Meus sítios na Net:
http://aboimdanobrega.blogspot.com/
http://br.youtube.com/taveiras
http://pt-pt.facebook.com/people/Felix-Vieira/100000789004718

31/03/2007

AS PARTIDAS DO VINHO DOCE E O FIEL AMIGO





O VINHO VERDE DOCE, EU E O CÃO


Mais uma peripécia em mais um dos dias de luta de minha Mãe para conseguir alimentos para si e os seus filhos e correspondendo ao chamamento do meu avô materno, Domingos José de Araújo (Domingos dos Ferreiros, nome pelo qual era mais conhecido), por um sinal combinado, de que quando ele precisa-se de minha Mãe para trabalhar, - e minha Mãe aproveitava para que nós nesse dia tivesse-mos alimentação assegurada - colocava no dia anterior uma toalha branca (sinal combinado, Internet daquela época) na janela de sua casa no lugar de Barjes, do outro lado do Rio Vade, em frente ao lugar do Tojal.
Nesta altura eu ainda não andava na escola, pois entrei nela já com quase 8 anos de idade, minha Mãe levou-me com ela, e é claro que eu comia mas também tinha que trabalhar e muito. Nesse dia a tarefa era levar o vinho novo, ainda um pouco doce mas já com álcool, de uma grande casa com 2 pisos, à qual chamava-mos Cabana, onde o meu avo tinha o lagar no piso de baixo, todo lajeado, com grandes dornas feitas em madeira a onde se pisava a uva, (agora já existem em Aboim, tanques feitos de cimento como o que a casa dos meus pais no Tojal tem já há muito tempo).

O vinho já estava em condições de ser levado para as pipas que estavam na adega térrea fresquinha, no fundo da casa em que meu avô habitava, um pouco mais a baixo, num percurso de cerca de 100m, (hoje entre as duas casas passa a estrada). Percurso este que, eu e minha Mãe percorria-mos de cantro (cântaro) de barro cheio, eu levava-o ao ombro e a minha Mãe à cabeça onde intercalava uma rodilha (um pano enrolado em forma de ninho). Algum tempo depois minha Mãe acreditou que a meio do percurso, eu encostando-me ao muro ali pousava o cantro para descansar, mas a situação era bem outra. Minha Mãe de pé a trás, foi-me observando e aos esses e esses que eu já fazia, apanhou-me com a "boca na botija", melhor dizendo, eu a beber pela malga de barro branca (tigela) que previamente tinha escondido ali junto do muro. Eu fugi, porque minha Mãe quando zangada mostrava alguns "espinhos ", mas eram espinhos de Roseira com o fruto de algumas Rosas para os filhos (alimentos), e quando os espinhos atingiam o meu corpo fisicamente, não me doía muito, porque eu sentia que a ela lhe doía muito mais.

Fui-me afastando, lembro-me de numa dada altura ter passado ao lado de umas poças de água (pequenas represas que ali se usam para regar os campos e lavadouro público de roupas) próximo da actual casa em Barges da irmã do meu Pai, a minha Tia Angelina (Angelina do Marta). Nesta altura, já tinha a companhia de um Cão, que não me lembro a quem pertencia, lembro-me isso sim, e muito bem, que acordei cheio de frio, agarrado ao Cão debaixo de uma meda (moreia) de palha de centeio, pertença de uma irmã mais velha de minha Mãe, a minha Tia Maria. Pelo lado de baixo da casa desta minha tia, havia a "minha figueira". Saindo debaixo da meda e ao aproximar-me da casa de minha Tia ela estava a rezar na frente de um Oratório na sua sala de jantar. Eu tremia, o Cão gania e ela veio ver quem era, exclamando. "Ai meu filho que andam todos à tua procura com lampiões, até já andam a procurar-te no rio", chorava de alegria e logo se apressou a levar-me a casa de meu Avô que era perto dali.

Minha Mãe ao ver-me, apertou-me com tanta alegria chorando que até deu para eu beber algumas lágriminhas que se despendiam do seu rosto e deu-se mais uma vez, o milagre dos "espinhos" transformados em rosas. Ah, nesse momento já não estava "bêbado" mas, com uma foooome, pois já passava das duas horas da manhã. Reparei que a madrasta de minha Mãe (Rosa), exclamou: "Ai meu Deus, vou já tirar o lampião da janela" (Lanterna de Candeia a Petróleo). É que tinha sido combinado que quando me encontrassem, tirava-se o lampião da janela, para que todos parassem de me procurar e regressassem a suas casas descansados.

Meu Avô, com aquele bigodinho sempre bem aparado, olhava-me profundamente e notava-se no seu olhar contentamento por eu ter aparecido são e salvo. Minha Mãe dizia-me às vezes, fitando-me com um sorriso e olhar brilhante que, eu era parecido com meu Avô e nesta minha foto no início deste texto, de quando eu tinha 13 anos, quem conheceu o Sr Domingos dos Ferreiros, poderá comparar, a verdade é que a minha Mãe também era parecida com ele. Antes de me ir deitar procurei o "meu anjo da guarda", o Cão, mas já tinha terminado a sua tarefa e deve ter voltado para o ninho onde me "deu guarida". Ora digam lá se eu não fui um "bêbado de vinho novo" com sorte?

Escrito por Félix Vieira

22/03/2007

A MINHA FIGUEIRA

A BURRA DO MEU AVÔ E A FIGUEIRA

Em Aboim da Nóbrega era (é?) uso chamar-se Burra ao que em português comum se designa por Égua, no presente caso a Burra do meu avô paterno, Sr Domingos dos Ferreiros (este o nome porque era mais conhecido), era uma Burra das mais grandes, muito bonita, esperta e tinha muitas outras qualidades. Era o transporte privado do meu avô, ele equipava-a muito bem, tinha muito jeito para manualmente trabalhar os arreios com as suas distinções, o que se tornava mais saliente ainda quando ele fazia os seus próprios jugos para as bacas (vacas). Meu avô, tinha jeito para tudo, era o que se poderia chamar de "homem dos sete ofícios", era ele que cortava o meu cabelo, comentando às vezes "tens um cabelo torcido, sais lá ao teu pai", mas o meu Pai tinha um cabelo bem liso, falava mesmo em sentido figurado. Meu Avô e meu Pai nunca se entenderam lá muito bem, esteve sempre de pé a trás, desde o começo do namoro com a minha Mãe. Às vezes ouvia perguntarem a minha Mãe se gostava muito de meu Pai e a resposta não se fazia esperar: "Oh moça está lá calada mulher, o puto é/era muito bonito".
Com esta Burra branca, que ao longe mais parecia um potente Cavalo, meu avô concorria nas provas dos concursos que se realizavam entre Portela do Vade e Santo António Mixões da Serra, atravessando os caminhos de Aboim da Nóbrega por Barges, porque nessa altura ainda não havia estrada. Existiam prémios, não só para os que chegassem nos primeiros lugares, como também, para os que apresentassem as melhores burras (éguas) e cavalos, os melhores adornos e os mais bem trabalhados, cada um exibindo os seus motivos.
Era com esta Burra e seus bons equipamentos que o meu avô se deslocava para todo o lado. Depois tudo era arrumado, da forma que ele tinha destinado, ninguém ousava tocar nos apetrechos e adornos para a Burra, mas meu avô deixava-me cuidar dela em tudo.

Zelar por ela enquanto ele tratava de algum assunto, como por exemplo, enquanto ele assistia à missa. Sabem, meu avô fazia parte dos dois ou três homens que assistiam à missa, entrando pela porta lateral da Igreja que fica entre a torre dos sinos e a capela, ficando entre as Senhoras, na parte da Igreja que a elas pertencia (parece-me que ainda hoje assim é). Reparei nisso aquando dos funerais de meu Pai e minha Mãe (que Deus os tenha em descanço), e nas missas a que assisti por alma deles, sem qualquer intenção ou propósito, fiquei no meio das Senhoras, e os seus olhares, até de rapariguinhas dos 10 aos +/- 18 anos, falavam comigo isso mesmo. Minha Mãe quando falava de meu avô, dizia que ele também era muito bonito.
Era eu que quando estava na casa do meu avô tratava da Burra, levando-a a pastar nos campos ou nos montes. Nos montes chegava a ficar por lá semanas, às vezes tinha que a ir buscar quando o meu avô precisava dela. (Nesse tempo não havia ladrões de gado…). Os equipamentos que eu usava na burra chamavam-se, em plaxo (placho), ou seja, sem nada, mas eu conduzia-a sem dificuldades, tinha-mos os nossos códigos, o que não obstou a que, nalgumas circunstâncias me tivesse visto em apuros, como numa das vezes que a ia pôr a pastar num campo junto a um dos moinhos, como o que se vê no mini filme do Rancho das Lavradeiras de Aboim da Nóbrega.
Deslocava-me devagar para lá, na saída de Barjes (sentido Lameiras), quando de surpresa pássaros levantaram vou-o com forte barulho, a Burra espantou-se desatou a galope, eu não conseguia domina-la, ao chegar ao pé do dito moinho, estancou e eu voei para cair meio dentro de água. Doeu um pouco, reparei que a burra se aproximava de mim, como que a pedir desculpa, montei novamente e lá continuamos amigos.
Numa outra ocasião em que, minha Mãe voltou a deixar comigo a minha irmã Rosa, chegado o momento de levar a Burra para pastar, não tive outro remédio senão levar minha irmã comigo na Égua, o que veio a acontecer mais vezes. Nesse dia, levava-a comigo sentada em cima da Burra atrás de mim agarrando-se com muita força, nessa altura já minha mana estava começando a falar e repetia muitas vezes: "féiiis eu cai…", por sorte e graças à Burra nesse dia não caiu, porque logo de seguida, ao aproximarmo-nos do tal local a onde a Burra já se tinha espantado anteriormente, desta vez parou e eu não consegui que ela me obedecesse enquanto não tirei minha irmã de cima, também desci e caminhamos até ao nosso destino.
De outra vez quando fui buscar a Burra, já ao pôr do sol, caminhado para casa junto à fonte do Dente Santo, pareceu-me que ela vinha contrariada, talvez quisesse estar mais tempo no campo pois estava calor. Mais a diante tivemos que subir uma transversal em direcção à casa do meu avô que confluía com outro caminho que tinha uma grande Figueira alongada para cima da transversal, que eu ao passar a cavalo debaixo dela tinha que me deitar sempre para as crinas da Burra bem agarrado. Nesse dia ao passar esqueci-me de me baixar, bati nesses ramos a Égua espantou-se e fugiu, mesmo tendo-me eu agarrado nas ramagens da figueira, partiram e eu dei com os costados naquela calçada de pedra grande (tipo calçada romana). Mas sabem, tive muita sorte, porque quando reparei bem, estava à beira de um precipício com aproximadamente 12 metros de altura e a Burra também desta vez se aproximou de mim e encostou-me a cabeça como que a fazer tadinho… Era um "puto" de sorte, não era…? Dali em diante sempre que ali passava, reparava como gato escaldado…, dizendo para com os meus botões, olha a minha figueira…
Nota: Nesta imagem, que alguém de bom gosto fez, vê-se toda a área de Barjes e envolventes, por onde eu me deslocava com a Burra do meu avô materno.
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Escrito por Félix Vieira
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19/03/2007

DIA DO PAI



Neste Dia do Pai, mesmo a título póstumo, quero prestar homenagem ao meu Pai que, Deus tenha em descanso, (na foto tirada em 1972), que em Aboim da Nóbrega no lugar do Tojal (foto aérea Google), iniciou o meu Ser, bem como a existências de mais 5 irmãos meus.

Circunstâncias da vida impuseram que não vivesse permanentemente no agregado familiar, mas isso não impediu que estivesse presente na medida do possível e não esqueço o apoio que me deu ao longo da vida, com especial destaque para o meu primeiro emprego aos meus quase 13 anos de idade, na mesma entidade patronal em Vila Franca de Xira a onde ele era o chefe de cozinha.

Hoje que também sou pai de 2 filhos, que são para mim uma felicidade, compreendo o que pais e filhos/pais sentem ao comemorar o Dia do Pai. Numa campa no Campo Santo, que se percebe nitidamente no canto inferior esquerdo do foto Google, têm agora morada eterna os meus PAIS. É com muitas saudades que lhes desejo PAZ ETERNA ÁS SUAS ALMAS.

UM BEM HAJA A TODOS OS PAIS DO MUNDO

Escrito por Félix Vieira
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07/01/2007

BOI DAS BACAS (BOI DA RODA) E AS LAVRADAS NO ÂMBITO COMUNITÁRIO

BOI DAS BACAS (boi das vacas, Boi da Roda). É verdade, também havia o boi das vacas para uso comunitário, não sei se ainda há. Começava por ser escolhido um exemplar que reuni-se as melhores qualidades para a reprodução. Não sei se comprado por todos os habitantes da freguesia ou doado por alguém.

Era utilizado por todos os lavradores que tivessem gado (vacas) para cobrição. Nalguns actos de cobrição das vacas, com toda a minha naturalidade de criança, observava conversas da circunstância, como: "a pá um lenço é pouco, pelo menos mais um lenço ou dois, pode não ter pegado (não ter ficado prenha) só com um" (lenço era o termo usado para qualificar o número de vezes que a vaca era coberta (acto do coito).

A alimentação e cuidados com este boi, também eram colectivos. O boi passava a noite e o dia seguinte com um dos "utentes" onde era alimentado, cuidado e contribuía, quando fosse caso disso, com os seus lenços e ao fim do dia era entregue ao utente seguinte e sucessivamente.

Não fazia mal a ninguém, a menos que se metessem com ele, ou contundissem com os seus domínios (é "humano"/próprio do reino animal). Minha Mãe não tinha vacas, nem em sonho, mas meu avô Domingos sim. E numa das vezes em que a "Internet" (sinal do lenço branco à janela) do meu avô, convoca minha Mãe para o trabalho que nos esperava no dia seguinte, lá fomos. Chegados a casa do meu avô no dia seguinte, já a madrasta de minha Mãe (meu avô casou segunda vez, pois minha avó materna morreu no parto), toda atarefada estava a tratar dos cozinhados que se impunham para o dia, que era de lavrar algumas terras e logo nos deu algo para matar a fome.

Para a lavrada vinham os outros lavradores – contribuindo comunitariamente - trazendo ou não também algumas juntas de vacas para puxar o arado (charrua). A primeira junta (um par de bacas) era fixada ao arado e sequencialmente mais uma ou duas juntas, conforme a dureza ou não do terreno e o espaço do mesmo para viragem das vacas no término das leiras dos campos de cultivo, nalgumas destas leiras existiam altos balados (valados) a separá-las.

Aqui aconteceu mesmo. Era uso e costume pôr um moço dente das bacas (um rapaz a diante das vacas) segurando-as pela soga e conduzindo-as. Neste dia a sorte coube ó Félix. Tudo foi andando bem na parte da manhã, mas depois do almoço, aqueles senhores que tangiam as bacas já com umas malginhas do berde a bordo (Vinho Verde, especialidade da região), não sei aquilatar até que ponto, mas a verdade é que desataram a apertar com as bacas não lhes dando tempo nem espaço para virarem no fim das leiras. Nalgumas dessas viragens eu já passava no ar suspenso das vacas pela soga, acabando por cair à leira de baixo, na horta. Levantei-me bastante assustado e fui-me dali.

O pior foi ao anoitecer, ao aproximar-me da casa de meu avô Domingos que estava com conversas que faziam aumentar os " espinhos" de minha Mãe, que ao ver-me diz "entra meu melro que já conversamos".

Perante a situação, pensando eu numa estratégia para os demover, fui tentando dar-lhes a volta para entrar, mas como eu tinha pouco jeito, não resultou. Encarando procurar onde poderia ficar, lembrei-me de um cortelho dos porcos que o meu avô tinha vago, por já lá não dormirem os porcos (suínos). Eu sabia que aquilo estava limpinho com rama das giestas fresquinha no chão, porque era debaixo de um Cabanal (género de angar à entrada dos domínios do meu avô), alto, o tecto do cortelho era só algum colmo (palha de centeio) distendido sobre algumas ripas de madeira.

Se bem pensei melhor o fiz, como não me queriam deixar entrar sem experimentar os espinhos, dirigi-me ao cortelho entrei de marcha atrás para deixar a porta fechada, continuando a afastar-me tacteando um lugar para me sentar, encontrei algo alto e só entendi que era a cabeça de um toiro quando este ao levantar-se me fez furar o colmo e ficar lá em cima, ouvindo a sua respiração já mais forte e que eu não tinha notado à entrada do cortelho.

Mais uma vez a minha sorte aconteceu, para estar aqui vivo a falar disto com o mundo. Como é natural saí dali num foguete, entrei assustado na casa de meu avô. Minha Mãe, ao ser informada pelo meu avô que tinha recebido o boi da roda por ser a sua vez e o tinha posto no cortelho dos porcos, apertou-me nos braços com muita força e mais uma vez se transformaram os espinhos em rosas. Comi e acabei por passar uma noite tranquila, e porque não? Pois tinha ao pé de mim Uma Mulher de Valor...

Escrito por Félix Vieira
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04/01/2007

HOMENAGEM A MEUS PAIS, JOSÉFA E ANTÓNIO

Nesta foto dos meus Pais que, para mim também simbolizam o Natal, quero prestar-lhes homenagem postuma, com o texto, o Natal nunca vem só, envolvendo a minha gratidão por todos os sacrifícios que tiveram para criar os seus filhos.

O NATAL NUNCA VEM SÓ

Mais ou menos pelos meus 6 anitos, na quadra natalícia, ficaram-me na memória algumas peripécias, que pela forma como me marcaram, não mais esqueci.

Depois de muito rebuscar por cantos e armários, na esperança de encontrar algum pão de milho (broa) escondido, como por vezes anteriormente tinha achado. Num triste dia o que encontrei era mais duro e seco que das outras vezes, como a fome mandava, zás toca a mastigar, ao constatar que se tratava de sabão azul e branco, a minha tristeza e fome aumentaram ainda mais, saindo agoniado até à porta de casa que, nessa época ainda era virada para o caminho principal no lugar do Tojal.

Um pouco depois, já mais recomposto, fui levantando o olhar e vejo a aproximar-se de mim uma das minhas vizinhas, com poucos anitos mais que eu, trazendo algo como que escondido e ao entregar-me diz "toma moço e esconde-te", eu sabia na carne o significado do "esconde-te", qualquer alimento era uma benção nessa época.

Noutra altura, tive a minha prenda de Natal, antecipada, duas batatinhas dadas por outra vizinha. Ao entrar em minha casa e ver-me sozinho, pensei, "caramba, eu sozinho e aqui com batatas para um manjar?" Aí, vai de procurar lenha que em dias anteriores tinha ido buscar ao monte, e ai de mim que não fosse… armei-me em cozinheiro, procurei o pote de ferro, qual sal qual quê (não havia), água da fonte da Meijoada, as batatas, cozinheiro a tratar já me ia sentindo um rei à espera do manjar. A pressa e fome eram tão grandes que nem as deixei acabar de cozer… garanto que, não mais comi na vida batatas meio cruas, mas souberam-me tão bem naquela altura...

Outra das minhas vizinhas, que por razões óbvias eu omito o nome, mais uma das que minha Mãe apodou de "mama na burra", é que minha Mãe era muito especializada em segundos "baptismos", embora fosse vulgar em Aboim da Nóbrega chamarem mama na burra a quem mamasse no dedo. Esta vizinha tinha um gato que era a sua companhia predilecta, até dormia com ela de noite. A forma como dormiam é que deu azo ao apodo que minha Mãe lhe pôs. A dona do gato já tinha o vicio de mamar no seu dedo polegar direito, em simultâneo metia a cabeça do gato na concha da mesma mão, junto ao seu peito, encaixando a cabeça do gato debaixo de seu queixo. A minha Mãe ao deparar com "este filme", (como tinha o hábito de dizer), foi logo, " Mama na Burra".

É verdade, tradicionalmente, um Natal nunca vem só e, hoje mais do que nunca, são muitas prendas em melhor qualidade e quantidade. Mas a minha prenda desse Natal, foi bem dolorosa, o incidente com o gato desta minha vizinha, algum tempo depois, quando tentaram travar esse hábito dela dormir com o gato daquela maneira. Depois de tentarem por várias formas, resolveram por fim, à noite fechar tudo e levaram o gato a minha casa para que ele passasse lá algumas noites. Eu não me apercebi disso, tempo muito frio, como é natural num mês de Dezembro e poucas e más roupas na cama.

Num dado momento, meio a dormir, sinto algo mexendo-se junto à minha cara e que afastei sem ter percebido o que era. A situação repetiu-se, eu com tudo às escuras, assustado, conforme agarrei, mandei para longe de mim, continuando a não entender o que se estava a passar.

Minha Mãe tinha-se levantado mais cedo, deixou a janela aberta, terá ido tratar dos seus afazeres. Ao regressar a casa, já estava à sua espera a " Mama na Burra", que chorando muito levou minha Mãe para trás da minha casa mostrando-lhe o seu gato sangrando. Não me apercebi se o gato já estaria morto, eu com medo fugi, o que as levou a desconfiar, eu sempre a jurar que não tinha feito nada e comentava que não senhor, não veio da janela porque os gatos amandados caem sempre em pé. Não me serviu de nada, tive que continuar chorando e fugindo.

Mais tarde, minha Mãe explicou que o gato podia não ter caído em pé porque ao ser mandado pela janela terá batido com a coluna vertebral num dos arames da latada, latada que ainda existe junto à janela da casa virada para o Eido (campo, terreno). Verdade, verdade é que eu não tive a percepção de o ter mandado pela janela mas a janela era relativamente perto da cama onde eu dormia.

O gato lá teve o seu enterro e eu durante algum tempo perdi umas regalias que provinham da minha vizinha "benfeitora". Moral da história, tinha sorte com os vizinhos, mas havia sempre um azar que esperava por mim… E nesse ano foi esta a minha recordação de Natal e me ensinou que, sorte não se tem, procura-se e depois há que cuidar dela como de uma flor. Que Deus me perdoe… e a minha vizinha também. Apesar de tudo o que passei, a minha terra é rica nas suas gentes, na sua natureza e beleza e a tradição do CANHOTO DO NATAL?…(o madeiro), o calor que ele nos instalava na ALMA.

Desejo a todos um FELIZ NATAL DO DIA-A-DIA, e um próspero 2007 com o calor de Aboim da Nóbrega instalado no CORAÇÃO.

Escrito por Félix Vieira
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01/01/2007

A CRENÇA E AS CEREJAS

Até parece que estou a usar estes textos para falar de mim, mas não, eu sou só o pretexto para falar de Aboim da Nóbrega, das suas gentes e as suas vivências.

É Claro que crenças em lendas, milagres, superstições e outras formas de fé, sempre existiram e existem ainda em Aboim da Nóbrega como em qualquer parte do mundo.

Eu acalentava a ideia de que quando soubesse ler viria logo para Lisboa (o que aconteceu), mais exactamente Vila Franca de Xira, onde o meu Pai já se encontrava. Como muitos outros, meu Pai que já tinha estado na França antes de casar, na altura da 2.ª guerra mundial, tentou primeiro ir para o Brasil, era na altura o que todos queriam para sair dali. Não se ouvia ninguém dizer, vou para Braga ou Porto, era só Brasil, Brasil e quando isso não se conseguia então ia-se para Lisboa. Meu Pai até chegou a vender um campo para ver se ia para o Brasil, mas depois de lhe "comerem o dinheiro", lá lhe deram a volta e ele não foi mesmo. Já quando eu era adulto, meu Pai foi-me confidenciando que lhe pareceu ter havido ali dedinho da PIDE (polícia política daquela época).

Em princípio de um mês de Maio e um Sol forte de Primavera, trajando eu em fralda, explicando bem: lá dizia-se andar em fraldas, aquele que só trazia uma camisa vestida, era o que havia. As árvores em flores umas, e já com frutos outras, mostravam-se atraentes por todo o Eido (campo dos meus pais). Um dia vindo eu nesse Eido subindo até à casa, deparei-me com minha Mãe, de barriga muito grande, já próximo do fim do tempo de gravidez, sentada num portelo sobre uma parede de pedra que lá existia à entrada do Quinteiro (quintal pequeno), onde agora está a cancela de ferro da entrada.

Com seus olhos rasos de lágrimas brilhantes como que sorrindo com ironia. Olhou-me afagando-me a cabeça, continuou fitando uma cerejeira já velhinha que para o lado do muro que a separava de um caminho, tinha um tronco muito viçoso e foi nesse tronco lá em cima na horizontal que apareceram as primeiras cerejas. Os nossos olhos comunicavam muitos pensamentos e minha Mãe exclamou "ai que eu comia aquelas cerejinhas" (que estavam pouco mais que a pintar).

Veio-me à cabeça, com muita insistência, o que já tinha ouvido muitas vezes de que, quando uma grávida tivesse um desejo e o não satisfizesse, a criança nascia de boca aberta, havia ainda outros que falavam de mais consequências .

Enchi-me de coragem, apertei a camisa à cintura com uma corda para que fizesse de bornal quando eu metê-se as cerejas para o seio. Ai vou eu, gatinhando cerejeira a cima e minha Mãe sempre dizendo "cuidado meu filho que tu cais" e observando ávida de desejo pelas cerejas. Chegado a essa pernada mais viçosa que era em forma de lomba com alguns rebentos novos ainda tenrinhos e que eu esmaguei um pouco gatinhado sobre eles deixando aquilo húmido. Chegado lá, toca de meter cerejas para o seio enquanto cabiam e minha Mãe dizendo "anda meu filho que já chegam".

No regresso é que foi o bô (bom) e o bonito, como era uso lá dizer-se, lá me fui fazendo ao tronco em lomba horizontal e mais ou menos a meio dele, aí venho eu a rolar. Devo ter desmaiado. Lembro-me muito bem que quando os meus olhos voltaram a ver estava a minha Mãe a chorar na minha frente comendo cerejas e comigo muito junto ao seu peito. Esse local era numa eira que havia ao lado direito da entrada para a casa de Dona Carminha, "dos d'Arauja". Percebi depois que foi ali que minha Mãe veio pedir ajuda, porque estavam ali pessoas a trabalhar nessa eira que me terão feito o curativo (sabe se lá como) e me ataram um pano branco na cabeça que eu pareceria mais um árabe.

Umas semanas depois, nascem os dois dum bentre (ventre). Primeiro o meu irmão Domingos, que veio a falecer cerca de dois anos após. E minutos depois nasce minha irmã Rosa, que está agora emigrada em França.

Digam lá se não valeu a pena ter ido às cerejas…? Era um garoto cheio de sorte nos azares, não era?

É fácil perceber que o que se passou com minha Mãe, não era uma situação vulgar do desejo de uma senhora no início da sua gravidez, mas sim, a necessidade de procurar alimentos...

Escrito por Félix Vieira
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30/12/2006

INOVAÇÃO CULINÁRIA

DOBRADA À PESCADOR

Quem não conhece a Dobrada à Portuguesa... Na cidade do Porto chama-se Tripas à moda do Porto e noutras zonas dizem apenas Feijoada, Não confundir com a feijoada à Transmontana, que é confeccionada de modo diferente.

Esta Dobrada à Portuguesa tradicional é feita, como se sabe, com as respectivas tripas de Vaca, feijão branco, cozinham-se com chouriço, toucinho (barriga de porco) e é claro depois de um bom estrugido (refugado).

Se pretender-mos, em vez de ser à Portuguesa, ser Dobrada à Espanhola, basta substituir o feijão branco por grão (grão de bico).

Com a chegada da doença das "Vacas Loucas", a procura deste prato começou a decrescer, bem como outros pratos afins que fossem confeccionados a partir do gado bovino.

Aqui entra a inovação. Estava eu no restaurante de um rapaz amigo, quando veio à baila,a cada vez menos venda da dobrada. Foi quando eu tive a ideia de lhe dizer "porque que não inovas…?" De seguida fez-lhe o convite para nos dirigir-mos ao mercado da Ribeira, que ficava no Cais do Sodré ali perto, em Lisboa, onde começa a linha de comboio que vai até Cascais.

Entramos no mercado, dirigimo-nos ao sector da venda de peixes e disse-lhe, apontando para os Búzios grandíssimos com mais de 1 kg cada, " está aqui a solução para aumentares o teu negócio, basta substituíres a dobrada pelos búzios e já está". E aconteceu INOVAÇÃO. O negócio dele aumentou, criou fama, as pessoas fazendo fila na rua e muitas comentando que a princípio não sabiam se aquilo era ou não carne.É evidente que as carnes como o toucinho e o chouriço mantiveram-se sempre que se cosinhava a Dobrada com buzios. Consequência, foi preciso comprar a loja ao lado, para aumentar o tamanho do Restaurante, meu amigo baptizou o novo cozinhado de Dobrada à Pescador.

Conhece outros pratos inovadores? Comemte.

Escrito por Félix Vieira
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